Talvez você conheça a ansiedade não pelo nome, mas pela maneira como ela ocupa seus pensamentos, seu corpo e a sua vida.
É antecipar conversas que ainda nem aconteceram. Revisar inúmeras vezes aquelas que já terminaram. Imaginar possibilidades, consequências, respostas e problemas — como se pensar em tudo pudesse impedir que alguma coisa desse errado. É deitar para dormir e perceber que a mente continua acordada.
Às vezes, a ansiedade aparece no corpo, como coração acelerado, tensão, falta de ar, inquietação, dificuldade para dormir ou uma sensação difícil de explicar de que alguma coisa está prestes a acontecer; e em outras, ela pode ser mais silenciosa.
Em outras vezes, ela pode aparecer como medo de errar, necessidade de controle, dificuldade para tomar decisões, preocupação constante com o que os outros pensam ou aquela sensação persistente de não estar fazendo o suficiente — ou de não ser suficiente.
E, depois de conviver algum tempo com tudo isso, talvez surja uma conclusão ainda mais dolorosa: o problema sou eu!
Talvez você se veja como uma pessoa fraca, insegura, complicada ou incapaz de lidar com situações que parecem mais fáceis para os outros. Mas existe outras maneiras de olhar para essa história.
Na psicoterapia narrativa, procuramos separar a pessoa do problema. Isso significa que, em vez de transformar a ansiedade em uma definição sobre quem você é — “eu sou ansioso”, “eu sou inseguro”, “eu não consigo”* —, podemos começar a investigar como a ansiedade tem participado da sua vida.
Quando ela aparece?
O que ela faz você acreditar sobre si?
Do que ela tenta convencê-lo?
O que você deixa de fazer quando ela ganha força?
E, talvez ainda mais importante: em quais momentos você já conseguiu não obedecer ao que a ansiedade dizia?
Você é maior do que o problema que está vivendo, sua vida possui muitas histórias a serem exploradas. Perceber essa diferença pode ser o início de uma relação diferente com aquilo que hoje produz tanta angústia.
Se você sente que a ansiedade tem ocupado espaço demais na sua vida, não precisa chegar à terapia sabendo explicar tudo o que está acontecendo. Podemos começar justamente por aí.